04/08/2017

[ RESENHA ] Quando tudo faz sentido

Título: Quando tudo faz sentido
Autora: Amy Zhang
Editora: Rocco - Jovens Leitores
Páginas: 320
Estrelas: 3/5
Liz Emmerson é uma garota popular no colégio e tem uma vida aparentemente invejável. Por que ela tentaria tirar a própria vida, simulando um acidente de carro depois de assistir a uma aula sobre as Leis de Newton? Neste surpreendente romance de estreia, Amy Zhang, que nasceu na China e mora no estado de Nova York, aborda temas como abandono, bullying, depressão e suicídio com uma narrativa crua e pungente que vai arrebatar os fãs de obras como As vantagens de ser invisível, Nuvens de Ketchup e Meu coração e outros buracos negros, entre outros. Na trama, Liz é resgatada por Liam, um garoto que ela sempre desprezou, mas talvez uma das poucas pessoas ao seu redor capaz de enxergá-la além das aparências. Envolvente e emocionante, o livro – que prende também pelo mistério se a protagonista vai ou não sobreviver (e que só é revelado no final) – mostra a fragilidade, a solidão e os dilemas dos jovens de forma sensível e sincera.

Cansada do silêncio, da solidão, Liz não vê esperança de que as coisas mudem e ela acredita que não estar mais no mundo será um bem maior para a humanidade. Por isso ela acredita que tirando a própria vida de maneira que aparente ser um acidente de carro em uma curva difícil ela convencerá as pessoas que não foi um suicídio bem premeditado.

Ela é garota popular que esconde os seus pensamentos mais obscuros e ruins, porque dessa maneira é mais fácil ser aceita, fingindo ser o que não é diariamente. Sua mãe é uma mulher extremamente ocupada, uma workholic, passa mais tempo viajando do que em casa e Liz sente falta dela sempre, porque vive sozinha quase toda semana. Seu pai, que era seu fiel escudeiro e compreendia tudo o que ela amava faleceu quando ela era ainda criança, acabou caindo do telhado e desse dia em diante a vida de Liz se tornou uma sucessão de vazios.

Seu ex-namorado Jack, um jogador de basquete também popular trai Liz com frequência, mas na concepção deturpada dele isso é normal. E ela mesmo sabendo dos seus rolos por fora do namoro aceitava essas traições, porque na companhia do namorado ela era ainda mais bem vista.


Mesmo namorando outros garotos eram atraídos por Liz, dentre eles, Liam, um bom garoto, estudioso, focado, bem nerd e que amava tocar sua flauta. Ele era o único que conseguia enxergar a Liz por trás das máscaras sociais. Por coincidência do destino foi justo Liam que contactou a polícia quando ela sofreu o acidente com o carro. De uma maneira meio louca, ele sabia ou sentia que esse acidente na verdade significava outra coisa, estava mais para uma desistência de viver, a chance de acabar com a tristeza.

"Em certas noites, Liz olhava para trás e contava os cadáveres, todas as vidas que tinha arruinado pelo simples fato de existir. Então escolheu deixar de existir."


Mas Liz, tinha amigas, fiéis escudeiras que a amavam e que também sofriam com medos referentes ao passado ou futuro. Eram as garotas Julia e Kennie, todas muito diferentes ao mesmo tempo que iguais e esse trio era bastante popular. Julia era filha de pais divorciados que viviam guerreando entre si e interferindo na vida da filha, talvez por essa crise familiar, pela necessidade de afogar a dor, ela tinha um saquinho ziplock em mãos sempre que queria, o vício dela, sua droga aspirada diariamente para amortecer seus pensamentos. Kennie tinha pais controladores, que preferiam colocar religião acima dos sentimentos da filha e com medo de ser julgada eternamente passa por um aborto ainda muito jovem.


Todos têm problemas, todos tão um jeito de lidar com a dor e Liz assim como todos tenta se adaptar, mas quando tudo faz sentido na cabeça dela a solução é tirar a própria vida. Ela se questiona porque era tão ruim, o que a levou a ser uma fraca ou estupidamente destruidora de corações, uma traidora de si mesma e de outros. Ela não encontra respostas que sejam suficientemente boas para manter-se viva.

"As palavras da sua mãe ecoaram em sua cabeça: amo você. As pessoas diziam aquilo com tanta facilidade, como se não fosse nada, como se não significasse nada."

Apesar de todo o planejamento quanto ao acidente este não acontece como o planejado, quer dizer, se levar em consideração que o planos era morrer e não ser socorrida e levada a um hospital com lesões gravíssimas.


E lá no hospital que a vida dela vai sendo esclarecida aos olhos de suas grandes amigas Julie e Kennie, assim como Liam que passa horas e horas na sala de espera aguardando ansioso por notícias da garota que está apaixonado mas que aparenta não dar a mínima a ele.

Liz se mantém viva com dificuldade, a situação de saúde é delicada e nenhum pouco estável, sua mãe está em cacos por ver a filha tão mal, mas apesar disso tenta se manter forte e bem externamente.

“Quando Tudo Faz Sentido” é o relato de nossas atitudes tem consequências reais, que podem ser boas ou más, como diz a terceira Lei de Newton, toda ação tem uma reação. As situações vividas por Liz e suas amigas antes do acidente e depois são determinantes na busca por ser melhor no futuro breve.

Liz é o exemplo de uma pessoa que demonstra claramente a necessidade de ajuda, mas a mecânica da vida impede que seus amigos e família percebam a quão ladeira abaixo sua emoção está descendo.
Fala sobre sermos bons e corretos, mesmo quando certas pessoas nos julguem. Manter a cabeça erguida e a consciência limpa ciente que fez seu melhor é crucial para deitar na cama a noite e dormir livre de peso. Faltou isso para Liz, mas pode ser um exemplo de mudança para outros e acabou servindo de reflexão para ela. Sim, ela aprendeu a lição, ser boa tem seu preço, assim como ser má, mas tem que escolher o que te dá paz e não culpa.

Sendo bem sincera esse livro não me pegou, eu tinha uma expectativa quanto ao desenrolar da história, fiquei bem incomodada em alguns momentos quanto a voz ativa, porém a moral dele é importante para que reflitamos sobre esse tema tão complexo e doloroso que é o suicídio.

Espero que tenham curtido a resenha!
Nos vemos em breve. ^^

Bjs.
Att,
Paty Argachof.

10 comentários:

  1. Caramba, agora estou em dúvida se coloco na minha wishlist ou não, por causa da sua opinião final, apesar de que sempre gosto de livros que tratam desse tema. Quem sabe mais pra frente, quando meus livros em espera para serem lidos cheguem até o final. Adorei a resenha, e a capa do livro é bem simples, fofa e ainda.

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  2. Olá tudo bem?

    Pois é, vou deixar passar com certeza: livro adolescente, personagem que acha que a saída para os problemas é o suicídio, egoísmo nível master. Não é definitivamente a leitura que me atraia. Sem contar seu comentário final, que não era o que vc esperava.

    bjss

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  3. Oie, tudo bem? EU achava o título tão fofo e ele estava em minha lista de compras, mas não havia lido resenhas sobre ele... Vou deixar ele na lista ainda, mas com um aviso de não criar muitas expectativas! kkkk Espero que funcione para mim.

    Beijos.

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  4. Eu estava adorando o livro e pensando "como ainda não li"... ai cheguei na parte que o livro não te pegou e pensei "nossa, será que é só mais um na onda de livros sobre depressão e suicídio?". Fiquei curiosa para entender melhor o que te incomodou nele, pra poder decidir se quero ou não ler! Bjos

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  5. Olá,

    A capa é bem fofa e seria um bom livro para dar de presente para minha irmã adolescente, porque mostra que se esconder atrás de aparências não é a solução para os problemas, mas o melhor caminho para a depressão.

    Beijos!

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  6. Oi Paty.
    É horrível quando um livro não corresponde as nossas expectativas, mas ainda bem que você conseguiu tirar uma coisa boa da leitura, que foi a conscientização sobre o suicido, assunto que deve ser abordado cada vez com mais urgência.
    Abraços.

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  7. Olá!

    Não o conhecia, mas achei a premissa, bem interessante, com temas que devem ser discutidos, principalmente entre os jovens. Uma pena que você não teve suas expectativas alcançadas, mas ainda assim creio que foi uma boa leitura para você.

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  8. Oiii!

    Eu não conhecia esse livro, e tem um enredo bem bacana, maaaaas é péssimo saber que as expectativas não foram supridas... fico triste quando acontece.
    Gostei da sua sinceridade!

    Beijinhos

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  9. Oie! Tudo bem?

    Sua resenha é a primeira que leio, que não é completamente positiva sobre essa obra! Estou com ela na minha lista de desejados, e espero poder realizar a leitura em algum momento, é uma história que desperta meu interesse, mas não sei se funcionará completamente para mim, como aconteceu com você!

    Bjss

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  10. Que agonia, vou deixou divido em ler ou não ler esse livro, odeio quando o livro nos deixa frustrado, mas por via das dúvidas, vou colocar na minha lista de desejados e para uma leitura futura.

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